Entre.
Doce,
Queria que doesse menos, sabe? Eu venho tentando desvencilhar-me de ti. Não sei se é o correto, se devo realmente fazê-lo. Mas as nossas entrelinhas e tudo que fica subentendido em nós doem tanto. Que eu já não tenho forças para lutar - você me dói tanto vezenquando. E sei que não é proposital.
E eu queria tanto dizer a você: eu te amo. Que todas as vezes que eu penso, imagino uma cena como essa os meus olhos se enchem esperançosos. E eu sou toda primavera por dentro, mas logo me torno inverno, por saber que meu medo é tão grande. Hoje eu queria só te abraçar e dizer o quanto você está dentro de mim.
Só que, amor, tudo que fica no meio e entre causam feridas. E eu não quero mais nada subentendido.
Eu te amo. Só isso.
poetizado por Heavenly
com amor ... às 12:12 AM
dividir é ótimo, então dividam pensamentos...
Comente: |
Gelo
- O teu coração, bonito, é gelo como dizes?
Entenda-me. Se eu soubesse das não-possibilidades jamais teria mergulhado dentro disso. Só que agora é tarde. E eu sinto o fundo do poço, o limbo, as paredes cheias de pedras, o gosto amargo da água. E eu tento gritar pedindo ajuda para que alguém me tire daqui, jogue uma corda para que eu possa subir, mas a voz não sai. Você compreende o que digo?
Eu sei que não. Porque você não tinha pretensão de apaixonar-me dessa forma. Eu sei que as tuas palavras não são doces propositalmente, que tu não te preocupas. Mas eu te pintei de uma forma tão grandiosa, onde os meus sonhos seriam sonhados contigo. Onde meu coração só pertenceria a você. Droga.
E quando você me diz que teu coração é gelo. Tu gelas a minha alma assim também.
poetizado por Heavenly
com amor ... às 12:11 AM
dividir é ótimo, então dividam pensamentos...
Comente: |
Voz
Eu queria ouvir a tua voz grossa e imponente do outro lado da linha. Queria mesmo que você sentisse falta, saudades de mim. Mas o meu telefone continuou mudo esses dias, mesmo que soubéssemos que a vontade de falar era grande você nada fez. Eu liguei e friamente você atendeu. Disse que não podia falar. Mas eu entendi, estava ressentido com algo e eu não conseguia identificar. Você me doeu tanto, por duas horas consecutivas, tirando-me a fome, a paz, o sossego. Eu te queria ouvir, mesmo que você brigasse comigo, falasse que eu era louca e tantas outras coisas. Mas você não ligou.
E meu telefone tocou agora a pouco e não era você. Quis chorar. Mas me segurei e o moço do outro lado disse que queria me ver, que eu era linda e que o pensamento dele não sai de mim. Eu disse que não podia sair hoje – não menti, mas fiquei feliz em ter um jantar como desculpa. É que eu realmente não sei se quero enfrentar outro sentimento, esvaziar você do meu coração. E dói.
poetizado por Heavenly
com amor ... às 12:10 AM
dividir é ótimo, então dividam pensamentos...
Comente: |
Aquele beijo
Àquela noite despi-me da menina que tantos viam. Quis apenas tentar ser mulher, deixando de lado todos os meus traços de menina-moça. Vesti-me rapidamente, pernas de fora. E olhando-me no espelho pensei: - Que vergonha. E antes mesmo que eu pudesse pensar em trocar de roupa, elas chegaram. Um batalhão que me fez maquiagem em três tempos, tirando de mim todos os traços restantes de uma quase-inocência. E elas gritavam: - Quero-te boneca está noite. E ríamos compulsivamente. Nosso destino: festa de aniversário de uma amiga. Há dias esse assunto não sabia de nossas boas, pensávamos nós que seria apenas para íntimos, poucos amigos. Ledo engano.
Em pouco tempo a festa estava “bombando” como costumam dizer. Pessoas desconhecidas. Rostos jamais vistos por mim antes, sentei-me à beira da piscina e observava a lua minguante, linda por sinal. Tantos outros dançavam e eu apenas observava um pouco cansada. Enquanto algumas investidas de rapazes em minhas amigas, deliciava-me com as caras e bocas que elas faziam pedindo-me socorro. E então, ele sentou-se ao meu lado. Educado. E sem, aparentemente, nenhuma má intenção. E eu, assim como minhas amigas, ignorei a sua presença. Resolvera instalar ali um silêncio mortal, imaginava-o destes rapazes que não podem ver rabo de saia. E ele me surpreendeu.
Em alguns minutos descobrimos que estudávamos na mesma faculdade, mesmo curso e que ansiávamos pelas mesmas coisas. Eu, dura, como sempre apenas assentia com o que ele dizia. Mostrando-me indiferente o quanto podia. Mas era tarde, havia mergulhado em algo desconhecido. E vi que falar sobre política, futebol e religião com ele não era polêmico, era bom. Percebi que aos poucos eu ia me entregando, mesmo sem saber. E então ele ao pé do ouvido disse: - Dança comigo.
Por alguma razão minhas pernas eram trêmulas e resolvi que dançaria. E antes que pudéssemos ir para o salão, ele conduzindo-me pela mão esquerda levou-me até o portão da casa, lá podíamos ver o Lago e sentir o frio que o vento trazia até nós. Tremi. E os seus braços envolveram-me num abraço que não consegui protestar, apenas consenti. E experimentei o beijo mais doce e quente da minha vida ali.
poetizado por Heavenly
com amor ... às 10:03 PM
dividir é ótimo, então dividam pensamentos...
Comente: |
Alan,
Eu estava ouvindo Pela luz dos olhos teus, sabe? E eu então eu lembrei que você dizia que eu nasci na meia-idade e cada aniversário eu envelhecia três anos. E eu sorri. Porque daí eu lembrei que a gente sempre discutia sobre música, e que meso a contragosto você as ouvia. Que mesmo cansado você dançava forró comigo, porque eu lhe forçava, te ameaça não estudar e fazer a lição contigo. Da mesma forma que você ameaçava não me dar à mão para atravessar a rua caso eu me recusasse a fazer cerol para soltarmos pipa. E então eu lembrei que comecei a jogar futebol com você, fazendo golzinho, com bola de leite. E nós às remendávamos sempre. As bolas não duravam conosco.
E a chuva cai lá fora, doce. E eu lembro como era bom tomar banho de chuva com você, fazer bola de sabão e sair correndo atrás delas. E agora eu sou toda chuva aqui, tentando esconder as minhas lágrimas que impiedosamente insistem em transbordar, por tua falta, tua doce companhia. Nós éramos um amor tão mútuo, tão intenso e eu não entendo como você foi se perder de mim, assim. Tão de repente. Sabe, lembro do nosso último Natal. A gente se dava em sorrisos e abraços e você me disse: te encontro logo, gata. E eu sorri do teu sorriso gostoso. Só que a memória anda falhando, sabe? E eu me culpo por ela. Eu fecho os olhos e te vejo tão longe, quase sumindo. E então eu abro a minha carteira e você me olha triste, pensativo, com olhar de saudade. A tua foto me é abrigo tantas vezes.
Sabe, eu sinto tanta falta de você. Queria voltar mesmo à infância, até mesmo nas nossas brigas, em nossas lutinhas – apesar de eu ser menina – e no som do teu cavaquinho na hora do intervalo da escola, das meninas pedindo autografo pra você e eu dando uma de “ele é meu”. De você indo torcer pelo meu time de futebol, de dizer que eu tinha namorado para todos os teus amigos por ciúmes bobos. De irmão. De você me carregando por ter machucado o meu pé.
Por você ter sido a única pessoa que verdadeiramente me amou. E por nosso amor ter sido o mais sincero e recíproco. Amor assim, meu amor, não morre. Eterniza.
Da priminha,
Pâmela
poetizado por Heavenly
com amor ... às 10:52 AM
dividir é ótimo, então dividam pensamentos...
Comente: |